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Catacumbas: uma viagem pelo subsolo de Paris

 Paris é um lugar que quase todo mundo sonha em ir um dia. Mas fora do roteiro mais conhecido e romântico, existe uma cidade submersa desde a época do Império Romano. São cemitérios que cortam praticamente toda a região por baixo e impressiona quem se aventura em decifrar esta parte da História.

A ideia quase sempre é a mesma. As pessoas vão a Paris para conhecer a Torre Eiffel, Champs-Élysées, o Louvre. O sonho de consumo de quem pensa em sair do Brasil à Europa. Sim, muito por conta dos filmes que estampam a cidade-luz como um troféu a ser erguido por cada turista. Puro marketing, é verdade.

Mas como aqui, no Próximo Embarque, nós procuramos desvendar também um outro olhar sobre os lugares que visitamos, vamos falar um pouco mais deste roteiro não tão popular. Digo isso porque tenho amigos que foram diversas vezes a Paris e nunca fizeram este passeio que pode ser um dos mais incríveis por conta da memória que celebra este lugar.

Entendendo a História

Imagine um conjunto de cavernas que passa por baixo de toda Paris. São cerca de 400 km de extensão. Túneis e mais túneis cortando um complexo desenho de cavidades bem debaixo dos seus pés. Agora junte isso à época em que nasceu o projeto. Os romanos, quando tinham a ideia de conquistar a Europa, construíram esta “cidade submersa” para iniciar a exploração dos minérios que a região possuía. Tanto, que as cavernas formadas são tipicamente romanas, em desenho e estrutura.

Ossuário do cemitério de Saint Landry datado de 18 de julho de 1792 – Foto: Paris Images

Depois disso, veio aquela parte que estudamos na escola. Várias doenças aumentaram a mortalidade da população parisiense, principalmente na época da revolução francesa em que o povo era submetido a condições de miséria e fome. Os cemitérios, como é de costume na França, ficavam na parte externa das igrejas da capital, o que gerou grandes problemas no século XVIII, a superlotação e corpos ao relento, expostos nas vilas.

Sob demanda da população que estava também adoecendo por causa do contato com a tantos restos mortais que se acumulavam na cidade, as autoridades tiveram que buscar uma solução para mais este problema, já que as doenças se espalhavam mais ainda. Daí surgiu a ideia de usar estes canais criados pelos romanos para depositar os ossos e desafogar os cemitérios comuns.

Bingo! Nasceu daí o maior complexo ossuário do país que, hoje, atrai milhares de viajantes curiosos.

 

 

Visitando o império da morte

No começo de sua composição, restos mortais eram depositados nestes lugares de qualquer maneira e, somente em 1810, as ossadas foram empilhadas e distribuídas em galerias. Desenhando ali um estilo mais organizado que mais tarde virou um museu. Um estudo foi feito no século XX para que a parte subterrânea da cidade pudesse ser visitada como atrativo turístico.

Imagine que estes túneis já foram usados por ativistas políticos, na Revolução Francesa, pela Resistência Francesa e até pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Hoje, apenas uma pequena parte foi aberta para a exploração da atividade turística, basta pensar que – como já citamos – a extensão destas galerias pode chegar a 400 km.

Para conhecer o lugar basta se dirigir à Avenida du Colonel Henri Rol-Tanguy (endereço completo no final desta postagem) e comprar o ingresso na recepção. O ambiente já tem seus ares macabros na entrada, percebe-se o clima de antigos subsolos franceses, presente em grande parte das construções antigas.

Entrada para as catacumbas

Descemos muitos degraus, são 20 metros de escadas que serpenteiam pra dentro do chão até chegar no ponto inicial do passeio, portanto, esteja preparado para subir tudo novamente. Esta primeira parte conta com explicações das instalações, a História em uma linha do tempo e demonstra também os achados por conta da exploração romana, são fósseis pré-históricos e minérios. Ou seja, as catacumbas também tiveram uma grande importância no resgate da arqueologia francesa, foram descobertos fósseis e minérios importantes para a formação de toda região.

Imagem conta a História do começo da exploração das catacumbas e demonstra em mapa a extensão das galerias subterrâneas.

 

Achados arqueológicos demonstram a formação rochosa e descobrimento de fósseis.

Seguimos pelos túneis estreitos que cortam o lugar. Algo parecido com Cholula, no México, quando visitamos o templo construído pelos Maias, que também era subterrâneo e claustrofóbico.

 

A cada passo e a cada entrada nova destas galerias, além dos ossos bem dispostos um em cima do outro, havia um aviso nas portas de acesso. Algo como, aproveite a sua vida, ou você está entrando no império da morte.

Pare! Este é o império da morte.

 

 

Descobrir que toda a cidade foi construída sobre um grande cemitério é um detalhe curioso e esse pode ser um passeio bem interessante. Afinal, hoje, no mundo inteiro, cemitérios são vistos como parte da História de um país ou de um povo.

E, neste caso, podemos considerar que as passagens subterrâneas são grande parte da memória parisiense. Um “lado B” que  a grande mídia não costuma mostrar mas que, sem dúvida, vale a pena conhecer.

 

 

Algumas dicas:

– Lembre-se, a descida é grande e a subida também. Não há elevadores para conhecer o lugar, portanto, esteja preparado para andar muito.
– Não é recomendado para quem tem alguma cardiopatia, claustrofobia, asma ou doença que impeça  esta atividade.
– Bom chegar cedo para não pegar muitas filas.

– Vá de calça e tênis confortáveis.

Confira nosso vídeo que mostra um pouco desta visita:

Serviço:

Site: http://www.catacombes.paris.fr/

Horário de Funcionamento: Terça a domingo de 10h às 20h30, sendo que o último horário de admissão são às 19h30.
Preço: €12
Localização: Avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy (place Denfert-Rochereau) – Metrô estação Denfert-Rochereau, Linhas 4 e 6 ou RER B.

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Thiago Inter
Thiago Inter é jornalista de TV, já atuou em Assessoria de Comunicação, adora produzir documentários, fotografia e percorrer o mundo. Nascido em Brasília, DF, o jornalista já documentou muitas de suas andanças para ajudar outras pessoas. Para ele, uma aventura é sempre bem-vinda e a melhor viagem é a próxima, esperando sempre pelo próximo embarque.
http://www.proximoembarque.com

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