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Boto da Amazônia: Turismo, lenda e a importância da preservação

 De todos os animais que habitam o território brasileiro, um dos que mais revela uma rica história no nosso folclore é o boto cor de rosa. Apesar de dócil e amigável, infelizmente, ele é perseguido e maltratado de forma injusta, entrando na lista de ameaça de extinção da espécie por causa da pesca ilegal. Como podemos ajudar?

Não tenho dúvida de uma coisa. Cada vez que vemos o boto rosa na televisão ou lemos algo sobre, dá vontade até de ter um em casa. A simpatia deles é muito parecida com a dos seus primos, os golfinhos de água salgada. Astutos e inteligentes, eles estão caindo cada vez mais na preferência dos turistas que visitam o Amazonas. Eles querem interagir com os bichos, tocá-los, alimentá-los, enfim, passar um dia com eles. A experiência pode ser positiva, claro, mas temos que nos atentar para alguns cuidados e cobrar os órgãos competentes para uma preservação mais séria e integrar isso ao turismo de maneira sustentável e ambientalmente responsável.

A lenda

Desde de criança, eu sentava no quarto da minha avó, pegava uma coleção de livros de um primo e passava horas lendo os contos de algumas que ele ganhava. As Histórias mais fascinantes da minha infância foram sobre o folclore brasileiro. É incrível como nosso país tem narrativas tão ricas em detalhes, contadas por populações de várias regiões, por perspectivas diferenciadas. Foi assim que nasceu meu interesse por este bicho.

Linda fotografia de Fernando Sette Câmara, no ensaio “O Boto – Lendas da Amazônia” que explora e esclarece nosso folclore.
Fotografia de Fernando Sette Câmara, no ensaio “O Boto – Lendas da Amazônia” 

A História começa há muito tempo. Para justificar a gravidez de mulheres solteiras de uma comunidade, elas diziam que tinham sido engravidadas pelo boto. Segundo a lenda, o bicho saia das águas dos rios que margeavam a região em dia de festa junina. Se personificavam em um rapaz bonito, elegante, com um chapéu para cobrir o buraco na cabeça (típico do animal). Este homem então seduzia as pobres moças da cidade arrastando-as para o rio e, muitas vezes, engravidando-as. Até os dias atuais, algumas mulheres ainda dizem que seus filhos são do boto, uma brincadeira quando não querem revelar quem é o pai das criança.

Antigamente, se aparecesse algum homem de chapéu nestas festas, eles tinham que retirar o apetrecho da cabeça para provar que não estava indo na comemoração atrás das moças.

Pesca ilegal

Uma triste realidade agora é a morte perversa deste bichos para serem usados como isca. Uma violação ambiental sem precedentes. Muitos pescadores criminosos perseguem, capturam e matam a espécie para usar a carne como isca da piracatinga, um peixe da amazônia que é atraido pela carne do boto. A piracatinga dá muito lucro a estes infratores, grande parte até exportada, motivo pelo qual a morte da população destes animais ameaça de extinção da espécie e revela este triste cenário brasileiro. Por outro lado, a população ribeirinha e os pescadores do bem seguem lutando para a preservação deste nosso patrimônio que dá toda graça aos nossos rios amazônicos.

Foto: Wikipedia, creative commons

 

Atração turística

A interação dos turistas com os botos é uma faca de dois gumes. Por um lado, o viajantes conhecem a espécie e se sentem responsáveis em preservar. Aprendem sobre a importância destes animais na natureza e há uma conexão única quando você tem a oportunidade de compartilhar um tempo com eles. Claro, por serem extremamente dóceis e sociáveis.

Por outro lado, há falta de regulamentação para isso. Alguns pesquisadores apontam mudanças comportamentais nos botos, cobram que haja mais fiscalização para atividades turísticas como, por exemplo, limitar o número de pessoas que se relacionam com estes animais, além de investigar os problemas gerados pela alimentação desenfreada para atraí-los.

Portanto, nasce aí uma necessidade de normas para preservar a espécie, educar os turistas e atrair mais simpatizantes para defendê-los dos problemas gerados pelas pessoas.

Apesar de dóceis, o Ibama, neste artigo, demonstra que o turista também pode ser ferido involuntariamente, por conta dos saltos que estes animais dão quando são atraídos com peixes oferecidos pelas pessoas ou com algum contato com os seus dentes. Eles não oferecem perigo direto, mas, como citamos, podem ferir alguém sem querer.

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Responsabilidade das autoridades

Já vi muitos tipos de turismo onde a interação com a natureza não é prejudicial e ajuda na conservação. Um dos lugares que mais encontrei este tipo de atividade foi em Fernando de Noronha e no Rio da Prata, em Bonito. As áreas são conservadas, os turistas têm oportunidade de ver os animais e tudo ocorre com muita responsabilidade. Mas cabe também aos órgãos dos Estados estudar o assunto para informar a população e qualificar a todos para que o turismo seja feito de maneira sustentável que possa integra-se com a natureza sem riscos ou danos.

Greenpeace faz protesto em Brasília para preservar o boto – Foto: Agência Brasil

Basta trabalhar mais com as comunidades da região para que este meio de turismo seja bom para os visitantes, guias  e para os animais. Temos exemplos, além dos acima, de histórias que deram muito certo quando o Governo local trabalha junto com ICMbio, Ibama e o Instituto Tamar. Basta ter vontade política para isto, não é mesmo? Além de todos os problemas já citados, ainda há a ameaça de exploração de petróleo na região dos corais da Amazônia e a construção das hidrelétricas no Norte do Brasil, que ameaçam as populações de botos naquela região. Ameaçam também outras espécies e até as comunidades ribeirinhas e indígenas, que sofrem com os alagamentos de áreas produtivas e de suas moradias.

A importância da preservação

Como qualquer outro animal na natureza, o boto tem também seu papel. Ele controla naturalmente algumas espécies que estão abaixo da sua cadeia alimentar, eles ajudam os pescadores sinalizando onde podem encontrar peixes permitidos para pesca. Onde tem um boto, pode haver um cardume. Considerando, assim, como amigo dos pescadores do bem, que fazem questão de lutar pela preservação e salvação destes golfinhos de água fluvial, que dão o ar da graça nos nossos afluentes.

 

Nós, participando da interação com o boto rosa da Amazônia.

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Esta postagem foi feita em parceria com a Iguana Tour. Nós, do Próximo Embarque, experimentamos e recomendamos os serviços prestados por esta agência de turismo por se tratar de uma empresa séria e responsável.

Thiago Inter
Thiago Inter é jornalista de TV, já atuou em Assessoria de Comunicação, adora produzir documentários, fotografia e percorrer o mundo. Nascido em Brasília, DF, o jornalista já documentou muitas de suas andanças para ajudar outras pessoas. Para ele, uma aventura é sempre bem-vinda e a melhor viagem é a próxima, esperando sempre pelo próximo embarque.
http://www.proximoembarque.com

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